A noite da última sexta-feira, dia 31/08, não foi regada apenas a chuva que caía sobre a cidade de Porto Alegre. Na Perestroika, a noite foi regada a muito chopp, pizza e, principalmente, muita troca de experiências num formato diferente de tudo que o público já havia visto e participado. Estudantes e recém formados em Direito foram os convidados para o The iLegal Hub, evento sem um formato definido, mas disposto a debater aquilo que os jovens profissionais querem. “Eles querem horizontalidade, interação e foi a partir de um bate-papo com esse público que percebemos a necessidade de formar uma rede de pessoas que queiram conversar sobre o que fazer com o diploma após a formatura”. É isso que explicou o Advogado, sócio do escritório Achutti Osório Advogados e professor da Universidade La Salle, Daniel Achutti.

Além dele, foram organizadores do evento a também Advogada, sócia do escritório Achutti Osório Advogados e professor da PUCRS, Fernanda Osório; o Advogado, sócio no escritório Botta Advogados e Co-fundador do Legal Tech Lab.io, Orontes Mariani e a Advogada e professora da Universidade La Salle, Elisa Ustárroz. “Estamos aqui num ambiente em que vocês não serão chamados de doutores, não pretendemos ensinar nada porque isso aqui não é uma escola e nosso convidado não irá palestrar”, destacou Achutti na abertura do evento. O advogado contou que a proposta tão diferente de evento surgiu da percepção de que os operadores jurídicos muitas vezes acabam adaptando as suas pretensões profissionais a algo que nem sempre é o que elas desejavam ser. “É por esses e outros motivos que vemos tanta gente mudando o rumo de seus sonhos no meio do caminho ou não sabem bem o que fazer no momento de iniciar a sua trajetória profissional”, ressaltou.

O convidado a não palestrar, e sim compartilhar sua trajetória pessoal e profissional, foi o jovem Advogado, fundador do escritório Silva Lopes Advogados, referência na advocacia para statups, Layon Lopes. O escritório que hoje atende mais de 100 empresas de tecnologia e inovação e com sedes em Porto Alegre e São Paulo nem sempre teve o tamanho que alcanço hoje e, em sua fala, Layon deixou claro o preço de tanta dedicação para que o próprio negócio desse certo. “Abri mão de muita coisa, inclusive da minha saúde, para chegar até aqui. Mas foi uma oportunidade que não poderia deixar passar”.

 

“O preconceito me fortaleceu”

Aos 30 anos, Layon dedica a sua família muito do que aprendeu, como o significado da palavra resiliência. Entre os objetivos que seguiu na profissão sempre esteve a vontade de quebrar com esteriótipos. Vestindo jeans, camiseta e boné, Layon deixou claro: “Este não é meu Casual Friday, esse é meu dress code a semana inteira, eu vim direto do escritório pra cá”. Entre seus relatos, muitos casos de preconceito pela aparência que inclui tatuagem, barba e cabelão e que foge do esteriótipo criado pela profissão. “Usei por um bom tempo esse preconceito a meu favor porque sempre tive em mente que seria um advogado de sucesso sem perder a minha essência. Hoje já somos reconhecidos na área”.

É preciso deixar o ego de lado

A aproximação com a área de tecnologia foi natural ao perceber que o público tinha muita dúvida sobre a parte jurídica e só deu certo porque Layon se dispôs a falar a língua desses que tinham dúvidas. “Chafurdei na lama e corri atrás mesmo!”, conta sobre o quanto teve que reaprender muita coisa da sua área de atuação. “Se vocês acham que vão sair da faculdade prontos para o mercado de trabalho, estão errados. Pelo menos comigo, a teoria da faculdade só fez sentido quando aliada à prática”.

O advogado também conta do diferencial que é seguir sua própria linha de pensamento em cada caso. “Hoje em dia o simples fato de pensar e não repetir o que os outros falam já é um grande diferencial na nossa área. Além disso, só trabalha com a gente quem não tem ego, porque uma das coisas que aprendi no ecossistema da tecnologia é que ouvir mais do que falar é essencial”.

O evento seguiu com uma série de perguntas do público para o advogado e comentários sobre a ansiedade que toma conta nesse período da vida e como cada um lida com as dificuldades do início da carreira, mas também a realização de encontrar na profissão um propósito de vida.

 

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